Afropeu: "Identidade plural, contra a narrativa de sangue e território da política de direita"

Johny, fez uma jornada de cinco meses, ao redor do continente europeu, explorando a vida de comunidades negras na Europa. Foi mais um processo de descoberta, ou, em si mesmo, um ato de resistência?

Não, talvez um pouco dos dois. Comecei a sentir-me muito desconfortável no Reino Unido, por volta da crise financeira de 2008. E então, sabe, em 2010, começámos a ter um governo conservador no poder e a era da austeridade, e as verdadeiras disjunções que começam a acontecer e que, digo eu, levaram ao Brexit. E assim, para mim, tudo o que me mantinha unido antes, a noção de fazer parte de uma sociedade multicultural, dentro da Europa, estava a desmoronar-se. E então eu queria tudo menos estar a desmoronar.

Uma vez que vive em Londres…

Na verdade, eu estava entre Sheffield e Londres na época, e sou originalmente de Sheffield, no norte. E a minha cidade que anteriormente era realmente uma cidade muito socialista, você sabe, a classe trabalhadora e reduto trabalhista votou para deixar a União Europeia. E eu pude ver que a esquerda havia perdido o contacto com as pessoas da classe trabalhadora. E eu acho que, provavelmente através do processo do New Labour, o Novo Trabalhismo que fez algumas coisas boas, foi melhor do que o governo conservador, mas ainda assim, a esquerda perdeu o contacto e eu queria tentar juntar as peças. Comecei a ver alguns dos meus amigos brancos da classe trabalhadora a saírem-se com algumas coisas racistas, especialmente contra os muçulmanos. E eu queria saber o que estava a acontecer porque de repente senti que as fundações culturais que existiam estavam a ficar num terreno muito instável. Então eu queria reconfigurar o meu sentido de identidade negra, uma identidade europeia. E fiz isso de certa forma, procurando por um lar. Então, foi uma espécie de processo de descoberta, mas eu viajei para lugares que pareciam um pouco como aquele em que eu cresci na periferia, o interior multicultural de Sheffield.

O que é ser Afropeu, hoje?

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